Sabesp corta verba para saneamento

Até mesmo a água que poderia ser tratada e termos melhorias em diversos sentidos está sendo atingida pela crise.

Fomos atrás de reportagens sobre o Rio Tietê e vamos mostrar bastante informações, confiram :

De acordo com Malu Ribeiro, da S.O.S Mata Atlântica, que supervisiona o Projeto Tietê, a própria Sabesp disse a ela que as obras da terceira etapa estão paralisadas. “De janeiro até junho, o ritmo foi desacelerado, e agora todas as obras do Projeto Tietê estão suspensas por 120 dias. Só estão acontecendo as obras de abastecimento [de água].” Já a assessoria de imprensa da Secretaria de Recursos Hídricos do Governo do Estado de São Paulo negou por telefone: “Nenhuma obra de saneamento foi paralisada, principalmente as do Projeto Tietê, que são as mais importantes”. Segundo a assessoria, as obras estão sendo executadas em ritmo mais lento. Uma pessoa que trabalha em uma obra na zona leste e pediu para não ser identificada confirmou que a empresa diminuiu o ritmo de construção a partir de julho, mas disse que, em junho, a Sabesp chegou a avisar as empreiteiras que iria paralisar as obras. Informações contraditórias são uma marca do projeto de despoluição do rio.

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Segundo Malu Ribeiro, cerca de 80% das obras de saneamento básico na Grande São Paulo são do Projeto Tietê. Em abril, a Sabesp já havia anunciado que iria cortar 55% dos investimentos em saneamento devido à redução de seu faturamento, provocada pela crise hídrica. O cálculo tinha como base o aumento da tarifa em 22,7%, defendido pela empresa. O valor aprovado pela Arsesp foi menor, de 15,2%. A Sabesp decidiu, então, cortar os investimentos em esgoto, como explicou o seu presidente, Jerson Kelman, em entrevista à Rede Globo. “Isso nos assusta porque, se vai cortar 50% dos investimentos, como vai se cumprir a meta [de universalizar o saneamento básico] até 2020?”, questiona Malu Ribeiro.

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Entretanto, a Sabesp financia uma parte pequena do projeto. Mais de 70% dos investimentos vêm de fontes externas, como BID, BNDES e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Procurada pela Pública, a empresa não esclareceu como sua crise financeira impacta a gestão da verba do Projeto Tietê. Está claro, contudo, que ela não está autorizada a redirecionar recursos de empréstimos para obras emergenciais de combate à seca, segundo o BNDES e o Ministério das Cidades, dois co-financiadores. O BID disse estar ciente de que a Sabesp está estudando o cenário orçamentário devido às urgências derivadas da crise hídrica, mas desconhece a paralisação: “O BID não foi informado oficialmente de que as obras do Projeto Tietê III tinham sido paralisadas ou que serão.”

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Além da falta de clareza na destinação dos recursos e no andamento das obras durante a crise, as informações sobre os próprios investimentos são contraditórias. A Sabesp informa apenas o custo total das etapas sem discriminar quanto veio de cada fonte. Assim, somando os valores fornecidos pelo BID, BNDES, Ministério do Planejamento e os que constam no site da Sabesp, o custo total da terceira etapa do Projeto Tietê é maior do que diz a empresa. Questionados sobre os detalhes do financiamento do Projeto Tietê, todas as entidades informaram que eles só poderiam ser esclarecidos diretamente com a Sabesp, que se recusou a responder.

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